Obesidade infantil já é considerada epidemia.

Posted by blog teste On terça-feira, 5 de abril de 2011 0 comentários

Um levantamento realizado em 2010 nos 102 municípios de Alagoas constatou que 17,6% das crianças de zero a cinco anos de idade estão com risco de sobrepeso e 11,1% estão obesas. Os dados referentes ao acompanhamento de 78.387 crianças foram inseridos pelos municípios no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde.

A mudança dos hábitos alimentares das famílias é apontada por especialistas como a principal causa do aumento da obesidade infantil, doença que já assumiu proporções de epidemia mundial.

De acordo com Maria Edna Bezerra, nutricionista do Hospital Geral do Estado (HGE), a modificação do estilo de vida das famílias trouxe como prejuízo o aumento do consumo de produtos processados, de rápido preparo e a diminuição da ingestão de frutas, verduras e cereais.

“As famílias têm cada vez menos tempo de preparar os alimentos e sentar para fazer as refeições, por isso oferecem industrializados para as crianças, a exemplo dos salgadinhos e macarrão instantâneo. Esses produtos são ricos em açúcar e carboidrato e pobres em fibras; já a combinação preferida dos brasileiros – feijão com arroz – vem desaparecendo das refeições diárias”, ressaltou.

Os pais devem estar alerta quanto ao peso dos pequenos e sua relação com a faixa etária e altura. Quando o peso estiver 15% acima do esperado, a criança já será considerada com sobrepeso, que é o primeiro passo para a obesidade. “As crianças não brincam mais e ficam horas em frente à televisão, computadores e jogos eletrônicos. É preciso tirar as crianças da frente da televisão, pois a diminuição da atividade física leva ao menor gasto energético e consequentemente ao acúmulo de gordura. Elas precisam fazer atividade física, brincar e interagir com o mundo”, recomendou Maria Edna Bezerra.

Incidência - Segundo a médica pediatra e nutróloga do HGE, Genilda Sampaio, a incidência da obesidade nos adolescentes triplicou entre 1963 e 2004, saltando de 5% para 17%. Na faixa etária de seis a 11 anos, a prevalência passou de 4% para 19%. No Brasil, o excesso de peso na faixa etária pediátrica varia de 11% a 34%.

“Se a criança está obesa aos cinco anos de vida, ela terá em torno de 70% a 80% de chances de ser um adulto obeso. Cabe aos pais ter boa qualidade alimentar, uma vez que eles servem de modelos para os filhos, propiciando escolhas adequadas dentro de casa e evitando despensas recheadas de calorias”, orientou.

Ela defende maior envolvimento da sociedade para a prevenção da obesidade infantil, através de estímulos a hábitos alimentares saudáveis, participação das escolas com a instituição de lanche saudável e cobrança de responsabilidade social da indústria alimentícia.

“Os pais, como principais cuidadores responsáveis, precisam ficar atentos aos bons hábitos alimentares. Ao perceber rápido ganho de peso, distorções do cardápio com substituições inadequadas e volumes inapropriados, eles devem consultar o pediatra para que sejam feitas as devidas avaliações e diagnóstico preciso”, expôs.

Além da influência alimentar da família, outros fatores incidem na obesidade, tais como a herança genética, metabolismo endócrino e o sedentarismo. A obesidade adulta ou infantil é uma enfermidade crônica acompanhada de múltiplas complicações como diabetes e problemas cardiovasculares; hipertensão arterial; aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos; distúrbios psicológicos; alterações osteomusculares e incremento da incidência de alguns tipos de cânceres.

A médica aponta o marketing de alimentos com um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da obesidade na infância. “Os comerciais de alimentos utilizam brinquedos, músicas e outros elementos para chamar a atenção da criança. Essa persuasão vem funcionando com a transmissão, por ano, de mais de 100 mil comerciais de alimentos na TV”, informou.

Prevenção – A obesidade infantil também está relacionada, ainda na primeira infância, com o desmame precoce e a utilização de farinhas para engrossar o leite das mamadeiras. O acompanhamento alimentar rigoroso na infância, com o incentivo à prática do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, é o ponto de partida para a prevenção da obesidade.

Estabelecer horários para as refeições, evitando longos períodos sem alimentação, também é importante para o controle do peso. Nos intervalos das refeições principais devem ser incluídos lanches que podem conter, por exemplo, leite, frutas, pão ou cereais.

Para uma alimentação equilibrada, é recomendável o consumo de pelo menos, um alimento regulador (frutas, verduras e legumes), energético (cereais, pães, macarrão, batata, mandioca) e construtor (carnes bovina e de frango, peixes, ovos, feijão, soja, leite e derivados) em cada refeição.

O cardápio da criança deve ter baixo consumo de alimentos gordurosos, excluindo as frituras e utilizando pouco óleo na preparação dos alimentos, substituição dos refrescos artificiais e refrigerantes por sucos naturais de frutas e redução da ingestão de doces e alimentação fast food.

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