
Os médicos anestesistas de Maceió podem cruzar os braços nos próximos dias, caso a Secretaria Municipal de Saúde não adeque os valores pagos por procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) à tabela da CBHPM – a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos. A categoria alega que a defasagem tem gerado insatisfação, pois os profissionais não estariam conseguindo dar conta da grande e crescente demanda, gerada pela má remuneração também em Alagoas.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina, um anestesista recebe em torno de R$ 100 dos convênios pela "analgesia" de uma cesariana. Na tabela do SUS, o mesmo procedimento vale cerca de R$ 30, o que leva muitos hospitais públicos e privados a complementarem a remuneração. Caso contrário, corre-se o risco de não se encontrar profissionais, apesar de o Ministério da Saúde afirmar ter investido, entre 2007 e 2009, três grandes reajustes que, somados, alcançariam R$ 6,2 bilhões.
O presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Wellington Galvão, em Maceió, informou que o secretário municipal de Saúde, Adeilson Loureiro, tem se empenhado no sentido de atender à reivindicação da categoria. “Técnicos da Secretaria deverão viajar para Recife, onde conhecerão, na próxima quarta, o exemplo adotado no estado vizinho, de modo que possamos receber planilhas atualizadas, com o reajuste dos valores”, comentou Galvão, afirmando reconhecer que a análise demandaria ‘um pouco mais de tempo’.
“O pleito também vale para as demais especialidades, como os cirurgiões, por exemplo. Aguardamos uma resposta, a fim de que o Município possa fazer a devida complementação para viabilizar os procedimentos realizados pelo SUS”, reforçou o sindicalista, para quem a negociação ‘está adiantada’.
“O reajuste já acontece no Nordeste inteiro, graças ao apoio também dos governos estaduais”, salientou o presidente do Sinmed, destacando que a defasagem da tabela SUS, em relação aos valores pagos pelos convênios, alcança até 2.000%.
Ainda de acordo com o Conselho Federal de Medicina, o obstáculo também envolve os planos de saúde, já que, nos últimos 12 anos, segundo o CFM, os convênios reajustaram suas mensalidades em mais de 170%, quando parcela considerada ínfima foi repassada aos médicos, impossibilitando o cumprimento dos contratos.
“O que o governo federal tem feito com os médicos, por meio da tabela SUS, é algo imoral, o que justifica o caos que se instalou. Nós temos o direito de reivindicar honorários justos”, complementou Wellington Galvão, confirmando a informação de que, em alguns municípios do interior, profissionais já pedem o descredenciamento do SUS.
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